IMAGEM

A imagem encontrada pro Plácido em 1700 tem 28 centímetros de altura e fica no Glória, no altar-mor da Basílica de Nazaré, em redoma de cristal. É uma senhora portuguesa de seus trinta anos, e, nas nuvens onde repousa, vemos um rostinho de anjo. Traz no braço esquerdo um menino aparentando dois anos de idade, que carrega um globo.

Logo em 1703, recebeu o primeiro restauro. Até hoje foi restaurada três vezes.

No dia 09 de julho de 1980, o Papa João Paulo II abençoou, com a imagem da janela do Arcebispado, o povo que estava na Praça da Sé.

A Imagem Peregrina, que sai no Círio, é uma cópia dela, mas não tão igual, dados ao rosto da senhora européia, e seu menino louro, traços de mulher da Amazônia com seu menino índio, meio caboclo.

Essa escultura foi feita na Itália, por Giacomo Mussnner, a pedido do padre Miguel Giambelli, então Vigário de Nazaré, e foi colocada na Berlinda, pela primeira vez, no ano de 1969.

É também chamada de Senhora da Berlinda.

 

BERLINDA

A Berlinda foi introduzida no Círio em 1855, e era puxada por animais.

Nos moldes dos carros europeus fora adaptada para levar a imagem, mas no colo de alguém. Só em 1880, o Bispo Dom Macedo Costa mandou preparar uma nova, que levasse a imagem sozinha. Foi conservada a parte de Berlinda (rodas e hastes), mas, no alto, uma maquineta de cristal fechada, ornamentada de flores e brocados, com a imagem no centro (maquineta quer dizer oratório envidraçado).

Em 1925, Dom Irineu decidiu transformá-la em andor. E assim saiu até o Círio de 1930, em hastes nos ombros dos devotos, ou seja, deixou de Berlinda em cinco Círios seguidos.

Em 1931 voltou a ser Berlinda com seus rodados.

Em 1963, a Berlinda de madeira, que já era a terceira, foi substituída por uma de ferro e cristal. O povo rejeitou, e então foi confeccionada, em 1965, essa que é usada até hoje. O grande valor dela é ser um dos belos recantos de Nossa Senhora.

 

MANTOS

Segundo a lenda do achado, é descrito como “um manto azul, com gotas de orvalho como pérolas”. Um historiador diz “encontrado entre as dobras da capinha, um papel com o nome de Nossa Senhora de Nazaré”.

Então, se já tinha manto, continuou ganhando outros mantos.

Se não tinha, então o povo fez-lhe um manto, ou então, quando os portugueses do Pará se encheram de amores por ela, mandaram logo colocar-lhe um manto, como a Senhora de Nazaré de Portugal.

Quando começamos a registrar seus mantos, encontramos irmã Alexandra, de Sant´Ana; depois sua aluna Ester Paes França, que fez 21 mantos (1971/92); e, após sua morte, Maizé Sequeira, que os fez durante dois anos (1993/94); Paulo e Vanessa fizeram quatro mantos (1995/98); Dilú Fiúza de Melo, um manto (1999); e Mariazinha Hundermark, o manto do ano 2000.

Nos anos de 2001 e 2002, Jorge Bittencourt preparou dois mantos: uma para o Círio e o outro para as romarias que antecedem o grande momento.

Em 2003 volta a ser confeccionado apenas um manto pela estilista Enid Almeida, criado por Mízar Klautau Bonna, com um novo broche, doado por Brenda Vidal.

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré que está no Glória ganhou o manto de cetim bordado em ouro durante o 6º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém em 1953.

 

HINOS

“VÓS SOIS O LÍRIO MIMOSO” é considerado o hino oficial do Círio de Nazaré, composto em 1909, pelo poeta maranhense Euclides Farias.

Posteriormente, a pedido de padre Afonso Di Giorgio, Aldebaro Klautau escreveu o estribilho que cita o nome da Senhora de Nazaré.

O hino “VIRGEM DE NAZARÉ” é, originalmente, um poema de autoria da poetisa paraense Ermelinda de Almeida, posteriormente musicado, por volta dos anos 60, pelo padre Vitalino Vari.

“MARIA DE NAZARÉ” tem letra e música do sacerdote mineiro padre José Fernandes de Oliveira (Padre Zezinho), composto em 1975.

“SENHORA DA BERLINDA”, composição com letra e música do Padre Antônio Maria Borges, composto em 1987.

 

A CORDA

No ano de 1855, com o Círio já pela manhã, a maré alta transbordou na área do Ver-o-Peso. Chão de terra, solo enlameado, a Berlinda enterrou suas rodas de madeira, e os animais, com o esforço para retirá-la do atoleiro, ficaram mais enterrados ainda. O povo, com uma corda emprestada por um comerciante, tirou-a dali, fazendo com que o Círio chegasse até a Igreja.

No ano de 1885, 30 anos depois, a corda foi oficializada no Cìrio para substituir definitivamente os animais que puxavam a Berlinda.

De 1962 a 1931, por autorização de Dom Irineu Jofily, a Corda ficou de fora, pois não houve Berlinda para puxar. Em 1931, por pressão do inventor Magalhães Barata, a Corda retornou à sua missão: puxar a Berlinda, que voltara ao Círio.

Em dezembro de 1931 chegou e assumiu a Arquidiocese Dom Antônio de Almeida Lustosa, que concordou em manter a Corda. Várias mudanças, dentro e fora, foram implantadas na tentativa de deixá-la mais arrumada, inclusive com a separação de homens e mulheres, por iniciativa de padre Afonso Di Giorgio. Seu maior problema é o excesso de gente dentro do arco por ela formado. Na tentativa de o controlar foram criados crachás, depois fitas e uma corda para autoridades após a Berlinda, que, depois de alguns anos, foram eliminados (1988).

A Corda, agora já tradicional, continua, e é considerada um dos ícones mais expressivos do Círio. Ela tem 400 metros de comprimento, com duas polegadas de espessura em titan torcido de sisal oleado, e é atrelada À Berlinda no Boulevard Castilhos França, desde 1995.

 

LEI

É de lei, lei dos homens, que Nossa Senhora de Nazaré é merecedora de honras de Chefe de Estado – Lei nº 4.371 de 15 de dezembro de 1971.

É a Padroeira do Pará e a Rainha da Amazônia. A imagem achada por Plácido, sua Coroa e seus Mantos foram tombados pela Lei nº 5.629, de 20 de dezembro de 1990.

 

INDULGÊNCIA

Em 1854, por solicitação do bispo Dom José Afonso de Moraes Torres, o Papa Pio IX concedeu indulgência plenária ao fiel que acompanhasse o Círio descalço.

Em 1872, foi oficializada, pela Santa Sé, a Missa própria à Virgem do Pará.

Em 1906, foi concedida indulgência plenária para o fiel que, em qualquer dia do novenário, se confessasse, comungasse e orasse pelas necessidades da Igreja Católica.

 

PEREGRINAÇÕES

Foram criadas pelo padre Giovanni Incampo, em 1972.

Nos anos de 1991, 1992 e 1993, dentro do Projeto Círio 200, foram realizadas peregrinações com a Imagem Peregrina às cidades do interior do Pará e às principais capitais e cidades brasileiras.

Com a implantação, em 2003, do Projeto Patrocinador Oficial do Círio, a imagem de Nossa Senhora passou a peregrinar em diversas instituições, empresas públicas e privadas do Estado do Pará.

Atualmente são impressos 100 mil Livros das Peregrinações.

CARROS

Em 1805, por ordem da Rainha de Portugal, Dona Maria I, foi introduzido no Círio o carro lembrando o milagre acontecido a Dom Fuas Roupinho (1182), quando começou a devoção à Nossa Senhora de Nazaré em Portugal.

Em 1826, foi a vez do chamado Carro dos Fogos, estilo fortaleza com bandeiras de várias nações católicas, que permaneceu até 1981, ou seja, por 156 anos.

Em 1855, foi introduzida a primeira Berlinda nos moldes europeus, com rodas de madeira e assento para quatro pessoas, puxada por animais.

No mesmo ano de 1855, foi introduzida a Barca lembrando o milagre com os marujos; depois, esse milagre foi incorporado ao carro de Dom Fuas Roupinho.

De 1926 a 1930, os Carros sem as rodas viraram andores por decreto de Dom Irineu Jofily.

A Berlinda volta a ser puxada pelo povo, como o era desde que foi oficializada em 1885. Os outros carros continuaram a ser puxados por animais. Nos anos setenta, foram utilizados tratores. Em 1980 passaram a ser conduzidos por estudantes de diversos colégios de Belém, sendo que os Carros dos Anjos já eram quatro desde 1976.

Em 1982 surgiu a Barca com Vela.

Em 1990 surgiu o Barco dos Escoteiros.

No ano de 2000, o Carro do Caboclo Plácido. Em 2002, o Carro da Santíssima Trindade.

Temos, ainda, Barca Portuguesa, Barca Nova, Barca com Remos.

São, atualmente, em número de 12 os carros no Círio de Nazaré:

  • Carro do Caboclo Plácido.
  • Barca dos Escoteiros.
  • Barca Nova.
  • Carro do Anjo Custódio.
  • Barca com Vela.
  • Carro do Anjo Protetor da Cidade.
  • Barca Portuguesa.
  • Carro dos Anjos I.
  • Barca com Remos.
  • Carro dos Anjos II.
  • Carro dos Milagres Dom Fuas Roupinho / Brigue São João Batista.
  • Carro da Santíssima Trindade.

 

Em 2003, todos os Carros, inclusive a Berlinda, foram recuperados e/ou restaurados.

 

PRAÇA

Em 1981, o padre Luciano Brambilla e a Diretoria da Festa de Nazaré, com o apoio do deputado federal Jorge Arbage, viabilizaram, junto ao Presidente Figueiredo, os recursos financeiros para a construção da Praça, que foi inaugurada em 8 de outubro de 1982.

O marco do Círio 200 foi inaugurado em 9 de outubro de 1992.

 

SONORIZAÇÃO

A primeira experiência com sonorização ocorreu em 1988, no trajeto da Basílica até o início da Avenida Presidente Vargas.

O sistema de som, adquirido em 1996, é composto de 10 estações retransmissoras e 220 caixas de som.

 

ILUMINAÇÃO

No período inicial, durante muitos anos, toda a iluminação era feita à base de archotes e velas nas palhoças.

Segundo os jornais, em 1889 já havia lamparinas. Em 1891, implantou-se a iluminação a gás, que era apagada às 22 horas.

Em 1892, havia 48 candeeiros acesos e 4 focos em cada canto, iluminando o Largo de Nazaré.

Não se sabe com precisão quando se utilizaram as lâmpadas na fachada, mas em 1916 já estavam concluídos a cripta, o telhado e uma torre da Basílica.

A iluminação com corda estática, na fachada da Basílica de Nazaré, começou em 1997.

 

FEIRA

Em 1997, com o apoio do SEBRAE e da Prefeitura Municipal de Belém, foi realizada pela Diretoria da Festa de Nazaré a 1 ª Feira do Círio.

Em 2003, em sua 7ª edição, a Feira ganhou novos estandes, projeto do engenheiro Camilo Delduque e apoio do Banco da Amazônia.

 

ARRAIAL

Antigamente, o lugar onde hoje encontra-se o Arraial de Nazaré  era mata virgem, que, mais tarde, tornou-se um sítio suburbano.

O advento do arraial aconteceu, desde o 1º Círio, em 1973, no Largo de Nazaré, em frente à Basílica, por 188 anos, até a construção da Praça Santuário, em 1981.

Entre 1841 e 1874, o Largo adquiriu arvoredo e se retornou o centro da cidade de Belém do Pará.

A partir de 1982, o arraial passou a ser realizado em um terreno localizado ao lado da Basílica.

Em 1996, foram construídos 36 lojas e um Centro Administrativo, Gerência do Arraial e segurança (Polícias Civis e Militares).

Em 2003, foi inaugurado novo pórtico de entrada do arraial.

 

CARTAZES

É um dos principais recursos visuais de divulgação do Círio. São produzidos em média 500 mil cartazes por ano.

Entre eles, incluem-se o cartaz oficial do Círio e o cartaz da Romaria Rodofluvial, além de outros, como os da Feira do Círio, do Concurso de Redação, etc.

Em 2003, iniciou-se a Exposição Itinerante com cartazes dos 13 últimos Círios e mais2 cartazes do ano de 1926.

 

AUDITÓRIO

Denominado Dom Vicente Zico, foi inaugurado em 19 de junho de 2000, com capacidade para 105 lugares, todo climatizado, com isolamento acústico e sistema de som ambiente.

 

BARRACA

Fica ao lado da Basílica, onde era a antiga Igreja. Hoje, o andar superior e o terraço são utilizados como residência dos Padres Barnabitas. E, na parte térrea, com três salões, são realizados os eventos.

Em 1998, foram feitas, pela Diretoria da Festa de Nazaré, a reforma e a climatização da Barraca da Santa.

 

DIRETORIA

No início era o governador quem providenciava para que o Círio fosse realizado. Depois, irmandades ou confrarias eram as encarregadas de organizar o Círio.

Foi só em 1910 que a Diretoria da Festa foi oficialmente instituída com o objetivo de organizar o evento, regida por um estatuto que define obrigações de cada membro ou comissão formada componentes de várias paróquias.

Até 1979 era constituída apenas de homens, nessa data, o vigário padre Luciano Brambilla fez tesoureira a irmã Marta Bechir Elias.

Em 2001 foi criado um novo Regimento, sendo que os 31 diretores foram reduzidos para 25 e as Comissões substituídas por oito Diretorias Executivas.

GUARDA

Em 1974 foi criada a Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, sendo o padre Giovanni Incampo o seu primeiro presidente. Ele editou o regulamento que norteia a vida das organização.

A Diretoria da Guarda de Nazaré é composta de:

Presidente, que é sempre o Vigário de Nazaré;

Coordenador e vice-coordenador geral;

1º e 2º secretários;

1º e 2º tesoureiros; e

Relações Públicas.

 

VÓS SOIS O LÍRIO MIMOSO

Vós sois o Lírio Mimoso

Do mais suave perfume

Que ao lado do Santo Esposo

A castidade resume

 

Ó virgem Mãe amorosa,

Fonte de amor e de fé,

Daí-nos a bênção, bondosa

Senhora de Nazaré (2x)

De vossos olhos o pranto

É como a gota de orvalho,

Que dá beleza e encanto

À flor pendente do galho

 

Se em vossos lábios divinos

Um doce riso desponta,

Nos esplendores dos hinos

Noss’alma ao Céu se remonta

 

Vós sois a flor da inocência

Que nossa vida embalsama

Com suavíssima essência

Que sobre nós se derrama

Quando na vida sofremos

A mais atroz amargura,

De Vossas mãos recebemos

A confortável doçura.

 

Vós sois a ridente Aurora

De divinas esplendores,

Que a luz da fé avigora

Nas almas dos pecadores.

 

Quando em suspiros e ais

A vida sentimos morta,

Nessas angústias finais

O vosso amor nos conforte

 

Seja bendita, Senhora,

Farol da eterna bonança,

Nos altos céus onde mora

A luz da nossa esperança

E lá da celeste altura

Do Vosso trono de luz,

Daí-nos a paz e ventura

Por Vosso amado Jesus.

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